quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Jason Wu Pre-Fall 2012 ♥

Para desanuviar...


Polka dots and great make-up.
Katie Holmes
Sou lembrada que é Natal pelas decorações dos shoppings onde tenho a infelicidade de colocar o pézinho nestes últimos dias. Nem a árvore de Natal, que com tanta simpatia foi construída na minha casa, me vale. Hoje perguntei a uma colega "para onde vais no fim-de-semana?" "vou para casa, claro, é Natal". Pois eu não vou e por isso para mim não é Natal, nem me lembro que ele existe. E até agora até estava a lidar alegremente com o facto, a tentar ser positiva, a pensar "alguém tem de o fazer e ao menos vou estar a fazer o que gosto, a tentar dar sorrisos aos meninos" "não tem mal, sempre tenho cá o meu amor para a semana e tenho a passagem de ano para estar com os meus...". Acontece que hoje soube que não tenho passagem de ano também. E isso fez com que já não ande tão contentinha. As injustiças nas escalas têm destas coisas. E para o ano há mais (faço novamente 24 e 31 de Dezembro). Se fosse enfermeira? Só fazia um dos turnos, nunca os dois e tinha direito a folgas. Se fosse polícia? Tinha direito a folguinha pela certa. And the list goes on and on. Mas sou médica e interna. E por isso fazer 36h só em urgência numa semana é perfeitamente normal. E fazer Natal e passagem de ano e nem uma folga ter por isso, é normal. "Foste tu que escolheste" pensam vocês. Pois fui e escolhia outra vez porque amo o que faço, mas quando implica abdicar ainda mais, do que o que já faço, da minha família, aí não posso deixar de me sentir profundamente triste (principalmente porque tinha sido escalada de forma diferente, mas subitamente tudo mudou porque, quando há que sacrificar, eu sou a primeira na linha). E posso não ter filhos, mas tenho avós e pais. Desculpem o desabafo...

"O diploma que regula o pagamento das horas extraordinárias aos médicos é o Decreto-Lei 62/79, de 30 de Março, visto e aprovado em Conselho de Ministros de 10 de Janeiro de 1979 por Carlos Alberto da Mota Pinto, Manuel Jacinto Nunes e Acácio Pereira Magro e promulgado pelo Presidente da República António Ramalho Eanes.
Dizia-se logo no Art. 1º - “o regime de trabalho do pessoal hospitalar é o que vigora para a função pública, com as especificações estabelecidas no presente diploma.”
Era, portanto, aceite que o pessoal hospitalar tinha especificidades e que desse facto teria que resultar um processamento diferenciado de pagamento e de distribuição de horário, pois só um tolinho pensa que trabalhar de noite é o mesmo que trabalhar de dia, trabalhar 12 horas consecutivas (ou 36h...) é o mesmo que trabalhar 8 horas, trabalhar aos feriados, sábados e domingos, por períodos de 12 ou 24 horas, é o mesmo que trabalhar das 9 às 5 horas aos dias de semana. Acresce que até hoje não se soube premiar de outra forma a responsabilidade médica, intransmissível e especialmente em crise na Urgência.

Mas chegou a crise e a dependência financeira com imposição de regras pelos credores.

A Proposta de Lei Orçamento de Estado para 2012 veio revelar que a intenção do Ministro da Saúde e do Governo era mostrar-se dócil e bom aluno perante o credor, procedendo a um corte excepcionalmente duro para toda a Função Pública, mantendo, na maioria dos casos, a dízima mensal, confiscando subsídios de Natal e de Férias e, para os médicos, num ataque directo sem precedentes, impondo uma redução média de 50% no valor a pagar nas horas extra (quando eu, interna, ganho cerca de 4 euros por cada hora extra), ao mesmo tempo que cândida e hipocritamente, se deseja que os médicos se mantenham dóceis, ao dispor, pelo tempo que seja necessário (incluindo horas extraordinárias ilimitadas), ignorando o esforço e a responsabilidade associadas a este tipo de trabalho.

Os médicos estão há anos a sustentar o SNS com o seu esforço e dedicação, muitas vezes com desprezo pela sua saúde e pela sua família.
Mas toleram muito mal a desconsideração e o ataque directo, injusto e injustificado."
SIM


É preciso que se perceba que a ideia instituída de que o médico ganha muito bem já há muito tempo perdeu validade. Eu além das horas extra que tenho de fazer (e não que quero fazer para ganhar mais dinheiro, como muitos pensam) trabalho sempre, mas sempre, além da minha hora, sendo que se fizer as contas entre o que ganho e as horas que trabalho, ganho cerca de 5 euros por hora ou nem isso... É bom que esse velho argumento não seja usado para agora nos cortar no vencimento das horas extra e dizer que as podemos fazer de forma ilimitada. É que temos como trabalho vidas. Para os que estão a ler isto e a pensar "são funcionários públicos têm que sofrer como os outros" pensem se querem ver um familiar vosso ser atendido por um médico a trabalhar há 36h, ou mais, sem descanso. Para além disso acho fascinante que a crise seja paga pelos funcionários públicos quando todos contribuíram para ela.
Espero que a greve às horas extraordinárias seja uma realidade e espero que finalmente percebam o absurdo que é o senhor ministro dizer que somos 1000 a mais... Porque quando pararmos de fazer extras e de nos desdobrar em 2 ou 3 o SNS fecha portas. A cirurgia geral (onde colegas minhas têm como parte do horário normal períodos de 36h ou mais) será a primeira a ressentir-se, mas, passo por passo, acontecerá o mesmo com cada uma das outras especialidades.  

domingo, 18 de dezembro de 2011

Um Natal que não sabe a Natal, mas com muito dar, que é o verbo que se conjuga com esta quadra.
Dar sem publicitar, dar pelo prazer de dar e sem querer ganhos secundários. Porque o ganho está no próprio acto.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Me in You

I see you building the castle with one hand
while tearing down another with the other

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Insatisfação. Procura crescente por mais e melhor. Assim é o ser humano. Cada um de nós, no seu trilho de vida, sonha muito, sonha com o caminho que virá, sem muitas vezes olhar para o chão que pisa ou para a paisagem do momento. Corremos muito, corremos demais. Mas às vezes para além de olhar só em frente, dando a mão a quem caminha connosco, alguns de nós detêm-se a olhar para o lado com malícia. Olham para comparar, olham para invejar, olham para passar uma rasteira e chegar mais rápido. A vida é tão incrivelmente curta e já tem por si tantas lombas e tantas pedras para serem ultrapassadas. Há que percorrer o caminho, aproveitar a viagem e ajudar-nos mutuamente para que a dor nos toque apenas aquilo que é inevitável. O destino não é essencial, é como lá chegamos que dá toda a beleza à vida. Não digo que seja errado querer o melhor e ser insatisfeito, não é, simplesmente que esse melhor não seja à conta de outrem. A nossa liberdade no percurso é essencial e é essencial respeitarmos a máxima de que a nossa liberdade termina onde começa a liberdade do outro. Não só a liberdade de acção, como de pensamento, como de sonho, como de plano, como de como escolheu percorrer o seu caminho, como vive a sua insatisfação, como lida com as suas tristezas, como festeja as suas alegrias, como vive. Aceitarmos que cada um é feliz à sua maneira e que nem todos têm de seguir o mesmo mapa. Live and let live.
Como relaxar no final de um dia de trabalho quando se mora sozinha? Ver TV? Não. Não há nada de interessante. Há sempre o livrinho de cabeceira (neste momento Os Pilares da Terra do Follett), mas o que tem ajudado mais são séries em fartura. Para além de How I met your mother, The big bang theory, Glee e Modern Family, duas novas se juntaram à família. Nada de muito intelectualmente exigente porque o objectivo é desligar a máquina, descontrair e dar umas gargalhadas.

Só agora... sim, só agora me deu para ver Gossip Girl, mas estou a gostar imenso. O estilo das meninas em si é fantástico, mas se fosse só por isso a série não se aguentava, no meu entender. Os enredos do Upper East Side são bem tecidos, os diálogos bem delineados e o drama entrelaça bem com tiradas cómicas nos momentos certos. 

Falando em bons diálogos e se vos apetece rir e descontrair... 2Broke Girls é uma excelente opção. Obrigada pela recomendação A.!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Tenho de agradecer muito pelos pais que tenho. Fizeram e fazem de mim o que sou. Deram sempre o seu melhor para eu ter tudo, para crescer feliz, para construir a minha carreira, para ser uma pessoa digna e com valores. E hoje, mais uma vez, não me deixaram ficar só. Vieram encher-me de mimos e de atenção e lembrar-me que são os meus mais fiéis amigos.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ao menos uma realmente e totalmente boa notícia:
E eu não tenho SU nesse dia o que parece ser um milagre divino.
31 horas sem visitar a minha cama = cabeça em água.
Estes últimos dias têm sido povoados de notícias... fortes? não consigo encontrar termo melhor, o que associado a muitas horas sem dormir, levam a um mau humor terrível, muitas dores de cabeça, a estas náuseas que já começam a ser familiares e a muitas imagens e cenários a povoarem atabalhoadamente a minha mente. Ainda bem que há um feriado ao longo desta semana. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

☹☺

Se é possível estar feliz e triste ao mesmo tempo? É. Se é possível dizer com sinceridade que estou feliz, mas com lágrimas a rolar quentes pela minha face? É. Mais um esforço e este sem data marcada para terminar... Mas tudo se vence. Tenho de dizer isto 1000 vezes a mim própria para se tornar verdade no fundo de mim.
A voz da melancolia... Boa banda sonora para hoje.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Nice Things ♥


Reencontrei esta loja e reapaixonei-me.

Us...

♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥

1/2 fim-de-semana

 E lá se passou o meu meio fim-de-semana... Urgência no sábado e relaxamento desde então. E deu para riscar da lista dois "to do"... Em primeiro lugar uma ida à Casa de Pasto da Palmeira. Já andava há algum tempo para experimentar, mas este fim-de-semana, contigo ♥, foi finalmente hora. E recomendo vivamente! Descontraído, mas com pratos que não o são... são cuidados no sabor e na apresentação e o empregado que nos atendeu foi uma simpatia. Dos petisquinhos que provei recomendo em 1º lugar os Queques de alheira e em 2º quase exéquo o Bacalhau 65º; 15'. Ficámos na esplanada (!!) mas com aquecimento (até tirei o casaco) e uma vista fantástica do rio, foi muito agradável. Para repetir!


Queques de alheira

Bacalhau 65º; 15'

E em segundo lugar ver o filme "The Ides of March". Neste que foi um dominguinho doce, com almoço tardio (brunch made by me) e, de seguida, a prometida visita ao sr. Clooney e ao sr. Ryan Gosling. Acabei por gostar bastante do filme. Isto porque o início estava a deixar-me desanimada, mas foi um crescendo que me foi prendendo progressivamente, mas que terminou abruptamente e em aberto. Recomendo, como runner up para os Óscares e como mostra crua do que são as campanhas políticas e de como a comunicação e imagem de um candidato pode valer muito mais que os seus ideais.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Eu amo a minha profissão por muitos motivos, mas, ainda hoje, como em muitos momentos, fui relembrada de um deles. Posso estar cansada, sem dormir, desgastada, saturada, mas basta olhar para um rostinho destes que tudo isso desvanece, o sorriso brota, a brincadeira é inevitável, o coração amolece e o cansaço substitui-se pela adrenalina necessária para continuar a trabalhar, para ajudar, para dar o melhor de mim. Por eles que são a lembrança constante da inocência, pureza, imaginação, prazer da descoberta e simplicidade que já todos nós, adultos, perdemos.
Dreaming of a house to call my own.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011