quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Ser amigo não é picar o ponto. Ser amigo é conhecer o olhar, é perceber mesmo quando não é dito, é partilhar, é estar atento, é não esquecer, é estar sempre lá, mesmo longe, mesmo nos momentos maus, mesmo quando custa, mesmo quando há que abdicar um pouco de nós. Ser amigo não é só partilhar festas, bebidas e sorrisos. Ser amigo é ser um companheiro pelos altos e baixos da vida, dando a mão para ultrapassar obstáculos, chamando a atenção para os perigos, partilhando a alegria das conquistas... e aceitar a diferença que há no outro, compreender que ele tem as suas escolhas individuais, a sua forma de estar na vida e que, se somos amigos, não impomos a nossa perspectiva, tentamos perceber a dele.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
A vida prega-nos grandes partidas. Destrói as nossas construções, roda o nosso mapa, leva-nos para rumos inesperados, faz-nos caminhar por trilhos dolorosos. Todo este inesperado, todos os eventos menos bons, os dias árduos, os momentos tristes, devem servir para nos reconstruirmos, para nos reinventarmos e para nos tornarmos mais fortes. Nunca, mas nunca, amargurados, cínicos ou maldosos. Se estamos mal não devemos olhar para o outro com desdém, devemos usar o fundo do poço para procurar ser melhor, para ganhar a força de sair dele com sorriso, sem puxar ninguém lá para baixo. Aprender a ser feliz com a felicidade dos outros. Aprender a crescer com o sofrimento. Aprender a praticar a bondade e a doçura com os que nos rodeiam, mesmo quando estamos no pior dos dias, em que o Mundo e o mau humor estão a curvar as nossas costas. Conheço muita gente que vai todas as semanas à igreja, diz-se católico praticante, mas não consegue no seu dia-a-dia praticar o mais puro acto católico, de bondade e dádiva, de dar ao outro sem esperar recompensa, de saber passar agruras aprendendo com elas, ressuscitando das cinzas, renascendo dos destroços de um coração partido, de um sonho estilhaçado... Não sou perfeita, não cumpro tudo isto, mas tento aprender com exemplos fascinantes que tenho à minha volta. Pessoas que passaram por situações trágicas, que vivem momentos de dor, e mesmo assim têm sempre um sorriso a dar, compreendem quando os outros (com problemas tão menores, por vezes) estão em baixo e são capazes de ajudar; sobrevivem à amargura e ao cinismo que cresce no coração dos que vivem centrados só e apenas no seu mundo.
Safira
Se há estação de televisão que tem reportagens decentes é a Sic. Mas ontem fiquei profundamente desiludida. A reportagem, seguida de debate, era sobre uma criança, a Safira, a quem tinha sido diagnosticado um tumor de wilms - um dos tumores malignos renais mais frequentes da infância - e a quem os médicos do IPO tinham indicado uma terapia de 27 sessões de quimioterapia pós operação para a sua cura, terapia esta que os pais recusaram, preferindo outra terapia no estrangeiro.
E o que me indignou não foi propriamente a opção dos pais, foi toda a reportagem ter sido dirigida dando a ideia de que as terapias mais comuns - quimioterapia e radioterapia- não são assim tão eficazes e se calhar o melhor é mesmo ir procurar outras alternativas que aquelas não interessam, e que, de certa forma, são prescritas pelos médicos quase como castigo ou porque é divertido fazer sofrer as criancinhas. O que fica da reportagem e que aliás se pode verificar nos comentários da página da Grande Reportagem no Facebook, é uma visão absolutamente maniqueísta de tudo - os pais são os bons da fita e os médicos do IPO são os maus, os causadores de toda a desgraça no mundo.
Indignou-me sobretudo por saber que as pessoas, sobretudo os pais de crianças que estão neste momento a vivenciar toda a experiência dolorosa que é ter um filho com uma doença oncológica, depois desta reportagem, irão questionar tudo aquilo e irão pôr em causa todos os pareceres médicos que chegarem do IPO. É certo que é bom ouvir sempre várias opiniões, mas, caramba, estas opções dos médicos são baseadas em estatísticas, em dados concretos de sucesso. Será que isto não vai custar alguma vida? Será que muitos pais não vão procurar outras terapias, não tão eficazes, para fugirem às quimioterapias e às radioterapias, baseados no caso desta menina (que é apresentado como um caso de sucesso, apesar de ainda só terem passados 16 meses desde o diagnóstico, o que não impossibilita o aparecimento de recidivas)? Eu, que confio a cem por cento nos médicos do IPO, tenho algumas dúvidas.
By Kitty Fane, in O amor é um lugar estranho
Dado que as minhas palavras poderão ser consideradas não isentas, faço minhas as palavras da Kitty Fane. Esta é a minha opinião. Minha, que trabalho todos os dias para o bem, para a saúde e sempre contra o dano das crianças, que quero tratar o melhor possível. Fundamento-me e alicerço a minha prática em estudos científicos válidos, mas nunca voltando os olhos às vontades dos pais, nem ao ALIAR a medicina alternativa, sempre que esta não prejudique o tratamento de base.
E o que me indignou não foi propriamente a opção dos pais, foi toda a reportagem ter sido dirigida dando a ideia de que as terapias mais comuns - quimioterapia e radioterapia- não são assim tão eficazes e se calhar o melhor é mesmo ir procurar outras alternativas que aquelas não interessam, e que, de certa forma, são prescritas pelos médicos quase como castigo ou porque é divertido fazer sofrer as criancinhas. O que fica da reportagem e que aliás se pode verificar nos comentários da página da Grande Reportagem no Facebook, é uma visão absolutamente maniqueísta de tudo - os pais são os bons da fita e os médicos do IPO são os maus, os causadores de toda a desgraça no mundo.
Indignou-me sobretudo por saber que as pessoas, sobretudo os pais de crianças que estão neste momento a vivenciar toda a experiência dolorosa que é ter um filho com uma doença oncológica, depois desta reportagem, irão questionar tudo aquilo e irão pôr em causa todos os pareceres médicos que chegarem do IPO. É certo que é bom ouvir sempre várias opiniões, mas, caramba, estas opções dos médicos são baseadas em estatísticas, em dados concretos de sucesso. Será que isto não vai custar alguma vida? Será que muitos pais não vão procurar outras terapias, não tão eficazes, para fugirem às quimioterapias e às radioterapias, baseados no caso desta menina (que é apresentado como um caso de sucesso, apesar de ainda só terem passados 16 meses desde o diagnóstico, o que não impossibilita o aparecimento de recidivas)? Eu, que confio a cem por cento nos médicos do IPO, tenho algumas dúvidas.
By Kitty Fane, in O amor é um lugar estranho
Dado que as minhas palavras poderão ser consideradas não isentas, faço minhas as palavras da Kitty Fane. Esta é a minha opinião. Minha, que trabalho todos os dias para o bem, para a saúde e sempre contra o dano das crianças, que quero tratar o melhor possível. Fundamento-me e alicerço a minha prática em estudos científicos válidos, mas nunca voltando os olhos às vontades dos pais, nem ao ALIAR a medicina alternativa, sempre que esta não prejudique o tratamento de base.
Paris je t'aime
Descobri a Polyvore graças à minha amiga A. ... e
cá vai uma das brincadeiras feitas no faz-de-conta
que sou editora de moda. Queria muito este Valentino...
(suspiro prolongado e cheio de utopia)!!!
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